sábado, 13 de junho de 2026
Análise

Como a propaganda russa se reorganizou nas plataformas digitais depois da RT ser banida na Europa

Quatro anos após as sanções da União Europeia contra a Russia Today, a propaganda de Estado russa não desapareceu. Migrou para sites-clone, contas inautênticas, influenciadores recrutados e novas frentes na África, na Ásia e na América Latina.
11 min de leitura
Propaganda
Mesa de trabalho com notebook, smartphones e tablet exibindo simultaneamente diferentes interfaces de sites de notícias, representando a multiplicação de canais de propaganda.
A propaganda que perdeu a emissora central passou a operar em muitas telas ao mesmo tempo.

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Em 2 de março de 2022, seis dias depois do início da invasão da Ucrânia em escala completa, o Conselho da União Europeia suspendeu por unanimidade as atividades de difusão da Russia Today e da Sputnik em todo o território do bloco. A medida, fundamentada no entendimento de que ambas operavam sob “controle direto ou indireto das autoridades da Federação Russa” e funcionavam como peças instrumentais da agressão militar contra Kiev, foi descrita por Bruxelas como “fechar a torneira” da manipulação informacional russa na Europa.

Quatro anos depois, a torneira não está fechada. Foi redistribuída em uma rede de pontos menores, dispersos, mais difíceis de mapear e ainda mais difíceis de bloquear de forma coordenada. A propaganda russa que perdeu o canal central encontrou novas frentes em sites-clone, contas inautênticas em redes sociais, influenciadores ocidentais recrutados por intermediários e uma expansão sistemática para a África, a Ásia e a América Latina. O caso oferece um estudo de como propaganda de Estado opera quando perde o broadcast tradicional.

O que mudou em março de 2022

A decisão europeia interrompeu transmissões por satélite, cabo e plataformas reguladas. O Tribunal Geral da União Europeia rejeitou em 30 de março de 2022 o pedido de medida cautelar apresentado pela RT France, mantendo a suspensão. Na prática, YouTube, Meta, TikTok e Twitter (hoje X) restringiram contas oficiais da RT e da Sputnik no espaço europeu antes mesmo do desfecho judicial. Stores de streaming como Roku e Apple removeram aplicativos. Operadoras de TV paga retiraram os canais da grade.

O efeito imediato foi notável. Para quem dependia da televisão tradicional ou da busca por contas oficiais nas grandes plataformas, a RT desapareceu da Europa.

A medida, contudo, tinha um perímetro estreito. Atingia a difusão direta e as marcas oficiais. Não alcançava, e dificilmente conseguiria alcançar, o que viria depois.

ilustração gerada por inteligência artificial.
ilustração gerada por inteligência artificial.

De um canal a uma rede

Em fevereiro de 2024, repórteres do Radio Free Europe/Radio Liberty acessaram, sem usar VPN, sites da RT e da Sputnik a partir das próprias sedes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia. Em setembro do mesmo ano, a Reporters Sans Frontières publicou investigação descrevendo como acessar o site da RT em França era, segundo a expressão usada pela organização, uma operação trivial.

A explicação técnica envolve domínios espelho, redirecionamentos e o uso de variações do nome original. O domínio swentr.site, por exemplo, é “RT News” escrito de trás para frente. Investigações posteriores, como a publicada pela Insight News em fevereiro de 2026, mapearam mais de 37 sites-clone ligados à RT e à Sputnik com tráfego relevante em vários países do bloco, incluindo Suécia e Noruega. O equivalente da Sputnik, sputnikglobe.com, registrou mais de 3 milhões de visitas no período coberto pela análise.

Esses sites não são acidentais. Compõem uma camada deliberada de redundância. Quando um endereço é bloqueado, outro entra no ar com pequenas variações de URL. Provedores de hospedagem fora da jurisdição europeia, como a AEZA Group (incluída em julho de 2025 na lista de sanções do Tesouro norte-americano), forneceram a infraestrutura.

A operação Doppelganger

A camada seguinte é mais sofisticada. Em setembro de 2022, o EU DisinfoLab e a Qurium Media Foundation publicaram o primeiro mapeamento de uma operação que ficou conhecida como Doppelganger. O nome descreve o método: páginas que imitam visualmente veículos europeus consolidados, como Bild, Le Monde, The Guardian ou Welt, e publicam textos falsos atribuídos a esses veículos, geralmente com conteúdo alinhado a interesses russos.

Os endereços dessas páginas são distribuídos por contas inautênticas em X e Facebook, em uma cadeia que multiplica as URLs e dificulta o rastreamento. Em 2024, a empresa russa Social Design Agency, identificada como operadora da campanha, foi sancionada pela Comissão Europeia. Em outubro do mesmo ano, o Reino Unido aplicou suas próprias sanções a stakeholders da operação.

A operação não cessou. Em janeiro de 2025, o Centro Alemão de Monitoramento, Análise e Estratégia (CeMAS) identificou mais de 630 publicações atribuíveis ao Doppelganger circulando entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, com foco nas eleições antecipadas alemãs. Em abril de 2025, a Alliance4Europe e a New Geopolitics Research Network documentaram a expansão da campanha contra as eleições presidenciais polonesas. A pesquisadora Insikt Group, ligada à Recorded Future, identificou cerca de 94 novos sites falsos imitando veículos alemães criados a partir de novembro de 2024.

A persistência sugere que sanções e descredenciamento, isoladamente, não eliminam uma operação cujo custo unitário de produção é baixo e cuja arquitetura técnica foi desenhada para sobreviver à detecção.

Setup doméstico de criação de conteúdo: ring light apontando para uma cadeira vazia, câmera em tripé, microfone articulado e computador na lateral, sem pessoas presentes.
O modelo da troll farm foi substituído por algo mais barato: contratar criadores que já têm câmera ligada e público formado. (Imagem gerada por IA)

A engenharia do influenciador útil

Em 4 de setembro de 2024, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou pública a acusação contra Kostiantyn Kalashnikov e Elena Afanasyeva, dois funcionários da RT, no Distrito Sul de Nova York. Segundo o documento judicial, entre outubro de 2023 e agosto de 2024 a RT transferiu, por meio de empresas de fachada no exterior, cerca de US$ 9,7 milhões para uma empresa norte-americana de criação de conteúdo identificada por investigações subsequentes como a Tenet Media, com sede no Tennessee.

A Tenet Media operava como rede de comentaristas conservadores com presença em YouTube, Instagram e TikTok, entre os quais Tim Pool, Benny Johnson e Dave Rubin. Os fundos russos, segundo o indictment, financiavam cachês mensais altos para os comentaristas, sem que estes soubessem (de acordo com o próprio DOJ e o Departamento do Tesouro) da origem do dinheiro. Os comentaristas foram tratados pela acusação como vítimas; os fundadores da empresa, como possíveis cúmplices conscientes. A apuração segue em curso.

O caso é instrutivo por motivos que vão além do escândalo. Como observou o repórter Charlie Warzel em texto para a The Atlantic, citado pela Columbia Journalism Review, o modelo da troll farm operada com perfis falsos foi suplantado por algo mais barato e mais eficaz: contratar criadores de conteúdo já estabelecidos, com público consolidado, e usar o dinheiro como vetor de pauta indireta. O método dispensa o trabalho árduo de fabricar audiência e dispensa a aparência sintética que delatava as operações anteriores.

Em outras frentes, o Adversarial Threat Report da Meta referente ao segundo semestre de 2025 identificou uma variação dessa lógica em países africanos, onde freelancers locais foram contratados para administrar páginas de marca aparentemente desvinculadas de qualquer Estado, mas que promoviam interesses russos e atacavam atores ocidentais. Eles atuavam, segundo a Meta, sem saber da origem real das pautas.

Cena de redação jornalística contemporânea em ambiente urbano que sugere uma capital africana, com profissionais de comunicação trabalhando em frente a computadores.
O Sul Global virou prioridade do orçamento da RT depois de 2022, com escritórios novos, contratos com emissoras locais e cursos de jornalismo. (Imagem gerada por IA)

A migração para o Sul Global

No fim de 2024, a editora-chefe da RT, Margarita Simonyan, declarou em programa de televisão russo que, diante de “ataques constantes” do Ocidente, a emissora iria “redistribuir o orçamento e concentrar esforços em outras frentes”. A frase, recuperada por veículos como o Meduza, descreve com precisão o que vinha sendo feito havia meses.

A RT manteve, ao longo de 2023 e 2024, escritório aberto em Argel e ampliou contratos com emissoras locais em vários países africanos. Sua divisão em francês, antes voltada para a França, foi reorientada para audiências da África francófona. A versão em árabe, lançada em 2007, ganhou importância renovada. A versão em sérvio iniciou suas operações no fim de 2022. Em dezembro de 2025, Vladimir Putin e Margarita Simonyan inauguraram em Nova Délhi a RT India, com cerimônia conjunta durante visita oficial do presidente russo.

Paralelamente, a chamada RT Academy passou a oferecer cursos de jornalismo a profissionais do Sudeste Asiático, da África e da China. Segundo divulgação da própria RT, cerca de 1.700 jornalistas foram treinados até o fim de 2024, com adesão concentrada em países como Nigéria, Quênia, Tanzânia, Camarões e República do Congo. Pesquisadores como o ucraniano Yevhen Fedchenko, do StopFake, comparam a iniciativa às escolas soviéticas de capacitação de quadros, criadas para formar redes de simpatizantes capazes de operar dentro de seus próprios países sem qualquer afiliação oficial à mídia russa.

No Brasil, o Atlantic Council DFRLab identificou, ainda em 2023, o uso continuado do Sputnik Brasil como principal vetor de propaganda russa em português, apesar do fechamento do escritório de São Paulo em março de 2023. O domínio passou a ser operado por empresa registrada como “consultoria em publicidade”. Em escala maior, a chamada Pravda Network, descrita por relatórios europeus em 2024 e 2025, opera em 87 países e parece ter sido desenhada, entre outros objetivos, para envenenar dados de treinamento de modelos de inteligência artificial, na expectativa de fazer assistentes ocidentais reproduzirem narrativas alinhadas ao Kremlin como respostas a perguntas neutras.

O que essa reorganização ensina sobre propaganda contemporânea

Três pontos emergem da soma das evidências.

O primeiro é estrutural. Propaganda de Estado contemporânea é menos uma emissora e mais um ecossistema modular. Quando um módulo é desligado, outro entra no ar. Isso vale tanto para a infraestrutura técnica (sites-clone, hospedagens em jurisdições amigáveis) quanto para a infraestrutura social (jornalistas em treinamento, influenciadores contratados, freelancers contratados via intermediários). Uma operação descoberta não desmonta o conjunto, da mesma forma que apagar um galho não derruba a árvore.

O segundo é geográfico. A retórica de “questione mais”, marca tradicional da RT, não busca mais conquistar audiências em capitais europeias. Busca audiências em regiões onde existe ressentimento legítimo em relação a antigas potências coloniais e onde a oferta de meios de comunicação alinhados ao Ocidente é menor ou contestada. A leitura do conteúdo como simples propaganda ignora que parte da sua eficácia decorre de conectar-se a queixas reais, ainda que com soluções que não convém ao público local.

O terceiro é metodológico. O modelo descentralizado tornou mais difícil distinguir, na prática, três coisas que costumavam aparecer juntas: o discurso oficial de um Estado, a opinião sincera de um comentarista local, e o conteúdo plantado por intermediação financeira. Quando os três se misturam na mesma sequência de vídeos de YouTube, o público perde o critério de origem. A consequência não é apenas a circulação de uma narrativa específica. É a erosão da própria utilidade da distinção “fonte russa” ou “fonte ocidental” como marcador de confiança.

Limites desta análise

Boa parte do que se sabe sobre as operações descritas vem de fontes com interesse no resultado. Governos ocidentais têm motivos legítimos para expor o aparato russo, e também têm motivos políticos. Plataformas privadas têm incentivos para mostrar capacidade de detecção. Organizações de pesquisa em desinformação dependem de financiamento institucional, em parte ocidental. Esses fatos não invalidam os documentos judiciais e os relatórios primários, mas exigem cautela ao traduzir “presença documentada de uma operação” em “efeito documentado de uma operação”. O número de incidentes catalogados pela EEAS em 2024 (505 incidentes, 38 mil canais, 90 países) descreve dimensão de atividade. Não descreve, por si só, mudança de comportamento eleitoral ou de opinião pública.

Há também limitações inerentes ao próprio modelo russo. Investigações de campo apontam que parte da operação Doppelganger é tecnicamente desleixada: erros de gramática, links quebrados, perfis com baixíssimo engajamento real. Isso sugere que a métrica de sucesso interna da operação pode não ser audiência, mas sim presença mensurável, capaz de justificar orçamento perante os contratantes em Moscou.

O que observar a seguir

Quatro sinais merecem acompanhamento até o fim de 2026.

O primeiro é a aplicação efetiva do Digital Services Act europeu contra a Doppelganger e suas variantes, em especial no que diz respeito a obrigações de transparência das plataformas. O segundo é o comportamento das operações russas em países de língua portuguesa, com atenção ao Sputnik em domínios alternativos e à possível expansão da Pravda Network. O terceiro é a evolução do modelo Tenet Media para outros mercados, especialmente onde existem ecossistemas vigorosos de criadores independentes pouco regulados. O quarto é o impacto, ainda em fase de mapeamento, das tentativas de envenenamento de dados de treinamento de modelos de inteligência artificial.

A SUASOR continuará acompanhando o tema.

Perguntas frequentes

A RT ainda funciona na Europa? A difusão oficial está suspensa desde março de 2022. A operação se mantém via sites-clone, contas em redes sociais e canais subsidiários, com diferentes níveis de visibilidade conforme o país.

O que é a operação Doppelganger? É uma campanha de manipulação informacional, atribuída pela União Europeia e pelos governos britânico, alemão e francês à empresa russa Social Design Agency. Cria páginas falsas que imitam veículos jornalísticos europeus para publicar conteúdo alinhado ao Kremlin.

O que foi o caso Tenet Media? Em setembro de 2024, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou dois funcionários da RT de canalizar cerca de US$ 9,7 milhões para uma empresa de mídia americana, sem que os comentaristas contratados soubessem da origem do dinheiro.

Por que a RT está investindo na África? Segundo a própria editora-chefe Margarita Simonyan, a rede está redirecionando orçamento para regiões “amigáveis”. A estratégia inclui escritórios novos, contratos com emissoras locais, e cursos para jornalistas africanos por meio da chamada RT Academy.

Fontes e referências

  1. CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA. “EU imposes sanctions on state-owned outlets RT/Russia Today and Sputnik’s broadcasting in the EU”. Consilium, 2 mar. 2022. Disponível em: consilium.europa.eu. Acesso em 10 jun. 2026. [Fonte primária]
  2. EUROPEAN AUDIOVISUAL OBSERVATORY. “The implementation of EU sanctions against RT and Sputnik”. Council of Europe, 2022. Disponível em: rm.coe.int/note-rt-sputnik. [Fonte institucional]
  3. RADIO FREE EUROPE/RADIO LIBERTY. “Two Years Into EU Ban, Russia’s RT And Sputnik Are Still Accessible Across The EU”, 7 fev. 2024. [Jornalismo investigativo]
  4. REPORTERS SANS FRONTIÈRES. “Russian propaganda bypasses EU sanctions: accessing RT’s website in France is ‘child’s play'”, 30 set. 2024. [Investigação independente]
  5. EU DISINFOLAB. “Doppelganger Hub”. Atualizado em 2025. Disponível em: disinfo.eu/doppelganger-hub. [Fonte especializada]
  6. DEPARTMENT OF JUSTICE (EUA). United States v. Kalashnikov and Afanasyeva, S.D.N.Y., indictment publicado em 4 set. 2024. [Documento primário judicial]
  7. DEPARTMENT OF STATE (EUA). “Alerting the World to RT’s Global Covert Activities”, 13 set. 2024. [Documento primário governamental]
  8. EUROPEAN EXTERNAL ACTION SERVICE. “3rd EEAS Report on Foreign Information Manipulation and Interference Threats”, mar. 2025. [Documento primário institucional]
  9. META. “Adversarial Threat Report”, Q2 2024 e Q2-Q3 2025. Meta Transparency Center. [Documento primário corporativo]
  10. INSIKT GROUP / RECORDED FUTURE. “Stimmen aus Moskau: Russian Influence Operations Target German Elections”, 13 fev. 2025. [Fonte especializada]
  11. ALLIANCE4EUROPE. “Illegal Doppelganger Operation: Targeting the Polish Elections”, abr. 2025. [Fonte especializada]
  12. MEDUZA. “Not so soft power: Inside Russia’s campaign to turn African journalists into Kremlin mouthpieces”, 26 fev. 2025. [Jornalismo investigativo]
  13. COLUMBIA JOURNALISM REVIEW. “The Tenet Media Incident”, 12 set. 2024. [Análise jornalística]
  14. LAWFARE. “The U.S. Government’s Busy Week Combating Russian Operatives”, 9 set. 2024. [Análise especializada]
  15. CNN PORTUGAL. “A propaganda russa na imprensa brasileira”, 14 dez. 2024. [Jornalismo de opinião]
  16. GAZETA DO POVO. “De Brasil 247 a UOL: até onde vai a influência russa na imprensa brasileira”, mar. 2024. [Reportagem]
  17. INSIGHT NEWS. “How Russia’s banned RT uses clone sites to stay alive in Europe”, 20 fev. 2026. [Reportagem investigativa]
  18. UACRISIS.ORG. “The Propaganda Factory: How RT Academy Teaches the World to Lie”, 20 nov. 2024. [Análise]
  19. RT. “About RT” e “Management”. rt.com. [Autodeclaração da entidade, tratada como tal]

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Foto de Antonio Miranda

Sobre o Autor

Antonio Miranda é fundador e editor da SUASOR. Pesquisador da influência em sentido amplo, dedica-se há mais de 10 anos ao estudo dos mecanismos que moldam a percepção pública: como narrativas se constroem, como símbolos persuadem, como mensagens se propagam e se sedimentam em sociedades. Seu interesse atravessa a história da propaganda, a psicologia social, a comunicação estratégica e o que hoje se discute sob o nome de operações de informação. Desenvolve pesquisa contínua em fontes acadêmicas, documentais e jornalísticas. Na SUASOR, escreve com a convicção de que a alfabetização em influência é uma necessidade pública contemporânea. O projeto procura ensinar o leitor a perceber as estruturas invisíveis que sustentam mensagens, marcas, discursos e tendências. A revista é uma iniciativa editorial independente. Os textos publicados representam exclusivamente a produção pessoal de seus autores e não refletem o posicionamento de qualquer instituição pública ou privada.

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